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​Tricampeão do Prêmio CNT de Jornalismo retrata realidade da cabotagem no Brasil


Foram dois meses de trabalho dedicado a uma grande reportagem. Desses, 17 dias ininterruptos em um navio. O resultado: mais um prêmio de jornalismo e experiências incorporadas para a vida pessoal e profissional. Talvez isso possa resumir, em poucas palavras, o processo de construção da série de reportagens “Quando o mar vira estrada”, do jornalista Henrique Batista, do jornal O Globo, que fez um retrato, com apurações in loco, da cabotagem no Brasil. O trabalho venceu a categoria Impresso do 22º Prêmio CNT de Jornalismo. Essa é a terceira vez que Henrique é agraciado. 

Quando a imprensa trata do transporte aquaviário, geralmente fala em números. Os gargalos são conhecidos por relatos. Mas, na prática, a realidade do setor, tão relevante para a economia brasileira, está distante da maioria absoluta da população. “O Globo quis mostrar como é a atividade na prática”, diz Henrique Batista. Ele avalia que a série “ajudou a tornar a cabotagem um pouco mais factível. Mostramos a questão dos problemas, dos custos e dos benefícios ambientais”.

Para executar o trabalho, o jornalista contatou a empresa de cabotagem Aliança e pegou uma carona por sete mil quilômetros de oceano, ao longo da costa brasileira e por um trecho de água doce, entre Porto Santos (SP) e Manaus (AM). “Foi muito interessante, porque vivi, na prática, a realidade de quem trabalha nesse segmento. Tentei fazer uma matéria pelo lado humano, a partir do que vive a tripulação, porque conhecemos pouco a realidade dessas pessoas”, conta. Além de viajar e conhecer de perto o transporte de cargas pela costa brasileira, o planejamento, a compilação de dados e as entrevistas também demandaram muita dedicação, para que o retrato pudesse ser o mais completo possível.

Na atividade, uma das premissas do jornalismo é a imparcialidade nas coberturas. Mas isso não significa que os profissionais fiquem imunes às experiências vivenciadas durante a apuração das reportagens. E, nesse caso, foram muitas, especialmente nos sete mil quilômetros de navio. Além de ver de perto os gargalos do setor, estar junto a profissionais que passam até cinco meses longe de casa, em um navio, Henrique destaca o quão surpreendente é o Brasil, especialmente visto de outro ângulo, do mar. “O país é incrível. Como, por exemplo, chegar ao sul da Bahia e ver 50 a 60 baleias. A mudança da cor do mar a partir do Ceará. O rio Amazonas, que também é uma coisa a parte. Navegamos nele, por navio, ao longo de dois mil quilômetros. Você vê o tamanho da floresta, a vida dos ribeirinhos”, relata ele, sem esquecer da experiência ímpar de ver o céu, à noite: “inesquecível é o céu em alto mar, sem nada à volta. E todo mundo que está no navio sabe ler o céu, porque tem que saber. Se der uma pane nos equipamentos, tem que navegar pelo céu”.

O jornalista destaca, também, a importância de os veículos de comunicação valorizarem o melhor produto do jornalismo, que são reportagens de fôlego: “a partir do momento que valoriza e reconhece essas matérias, também é um incentivo para que os veículos invistam mais no que é mais importante no jornalismo, que é a reportagem”. Para ele, é algo que merece valor, especialmente no atual momento do jornalismo, fortemente impactado pela internet, que demanda agilidade na apuração e publicação dos fatos. “Eu acho importante, porque é o reconhecimento de um trabalho. O CNT é um dos prêmios mais tradicionais do país, realiza uma seleção de forma totalmente séria, com critérios. Isso é muito bacana e dá respaldo ao prêmio”, complementa.

Clique aqui para ler as reportagens da série "Quando o mar vira estrada".


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