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“Cemitérios de lata” mostra toneladas de sucatas sem destino e vence Prêmio CNT


​Mais de 4 milhões de toneladas de aço e outros materiais se transformam em lixo todos os anos. O dado foi revelado na reportagem “Cemitérios de Lata”, publicada no Correio Braziliense. O trabalho, realizado pelos jornalistas Ivan Iunes, Warner Bento Filho e Leonardo Cavalcanti, foi o vencedor da categoria Prêmio Especial Meio Ambiente e Transporte da 22ª edição do Prêmio CNT de Jornalismo.

A matéria questionou o que fazer com automóveis, barcos, aviões e outros meios de transporte em final de vida útil. Ivan Iunes lembra, por exemplo, o estímulo à aquisição de veículos novos por meio de políticas fiscais do governo federal, nos últimos anos. E questiona: “qual é a consequência disso?”.

Eles contam que o tema era constantemente debatido na redação, entre os três profissionais. O assunto, segundo Iunes e Leonardo Cavalcanti, sempre atraiu atenção. O Prêmio CNT foi o estímulo para que o tema saísse das rodas de conversa e fosse, de fato, parar no papel. “Sabemos da qualidade da organização do prêmio, que tem uma comissão julgadora isenta e que é qualificado há muito tempo. Conseguimos juntar uma preocupação dentro da editoria com o prêmio da CNT”, comenta Cavalcanti.

Para o desenvolvimento da pauta, os jornalistas se dividiram: Leonardo apurou as sucatas de navio; Warner, as de avião; e Ivan, os carros abandonados nas cidades. O resultado pode ser conferido no site do Correio Braziliense. Clique aqui.

“Com a apuração, chegamos à conclusão de que a legislação ainda é muito incipiente”, afirma Iunes. Cavalcanti complementa que as leis nacionais são omissas sobre o tema reciclagem. “Percebemos essa lacuna. Nenhum órgão oficial conseguia explicar por que aquela quantidade de lixo ficava exposta nas ruas, sem punição, sem uma política específica”.

Alternativas para a destinação de sucatas também foram retratadas na série. Foi o caso de um navio abandonado que se transformou em instalação artística. Outra curiosidade foram os casos de investimentos estrangeiros na reciclagem contrapondo a realidade dos investimentos nacionais, que ainda não são vultuosos.

Para Ivan Iunes, concluir um trabalho como esse e ainda ser reconhecido com a premiação, confirma que a reportagem é o princípio, o meio e o fim do jornalismo. “Embora exista uma crise no mercado, uma crise no modelo de negócio do jornalismo, a reportagem vai sobreviver aconteça o que acontecer! Ainda há espaço para boas reportagens e bons temas que impactem diretamente o cidadão”, salienta.

Já para Cavalcanti, “fazer uma série com profissionais comprometidos que trabalham basicamente com edição, na editoria de política e conseguir pensar em uma pauta importante para a sociedade, que não está na agenda do governo - a ponto de não ter uma legislação específica - é a grande satisfação”. Para ele, é uma honra vencer o Prêmio CNT. “O que me agrada é conseguir manter uma produção de qualidade e ter esse reconhecimento”. Cavalcanti promete, ainda, que a série sobre o tema irá continuar.

A cerimônia de entrega da 22ª edição do Prêmio CNT de Jornalismo será realizada no dia 9 de dezembro, em Brasília (DF).


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