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​Mortes a caminho da escola motivaram reportagem vencedora na categoria Internet


“Eles fizeram foi morrer” é o título instigante da reportagem que conquistou o Prêmio CNT de Jornalismo na categoria Internet, do jornalista Lúcio Vaz. Basta, é claro, ler o trabalho para compreender tudo o que está por detrás da frase, forte e simples. “Eles” são muitas crianças e adolescentes que perderam a vida a caminho da escola, vítimas do descaso das autoridades e empresários, cuja responsabilidade era oferecer transporte escolar seguro. Mas têm a missão desviada pela corrupção e ganância. É um retrato, assim, da precariedade e das irregularidades desse serviço no Nordeste do país, além de trazer relatos das famílias que se tornaram vítimas desse problema.

O trabalho foi árduo. E é, certamente, uma lição sobre fazer jornalismo. Isso é possível perceber ao conhecer, um pouco, os bastidores dessa reportagem, que contou com o know how de um repórter acostumado com grandes investigações jornalísticas.  

Lúcio Vaz conta que foram dois anos de apuração realizada por vontade própria. Tudo começou em abril de 2012, quando o jornalista percebeu que o TCU (Tribunal de Contas da União) constatou muitas fraudes em transporte escolar. Ele decidiu, então, debruçar-se sobre cerca de 1,2 mil auditorias realizadas ao longo de dez anos. “Tinha que ler tudo, cem páginas cada. Porque nem sempre a informação sobre o transporte escolar vem no mesmo lugar e da mesma forma. E eu fui percebendo que muitas falavam de acidentes e mortes”, relembra.

Outro desafio foi a falta de levantamentos oficiais sobre o assunto, o que exigiu ainda mais dedicação do jornalista. Ele levantou casos relatados pela imprensa, inclusive em pequenos blogs – onde identificou acidentes que tiveram menor repercussão midiática – e traçou o planejamento do trabalho de campo. Esse foi realizado em 2014, após acertar a publicação do material no Brio Stories, uma nova plataforma que disponibiliza trabalhos de fôlego realizados por jornalistas independentes. 

“Eu fui no meu carro. Comecei pela Bahia e cheguei até o Maranhão. Eu chegava na praça central do município, ia ao ponto de táxi, falava do caso, perguntava onde havia sido. Foi dessa maneira que eu achei todas as pessoas: perguntando”, conta Lúcio. No contato com as famílias que perderam suas crianças a caminho da escola, Lúcio foi paciente e atencioso. “Eu acho que o jornalista, na hora de escrever, tem que ter distanciamento. Mas, na apuração, tem que se envolver, conversar com as pessoas. Muitas vezes eu passei dois dias conversando. Quando percebia que estavam muito emocionadas, voltava depois, tomava um café e conversava, para que pudessem se sentir mais à vontade e confiantes. Foi demorado para que isso ocorresse”, relata.

O repórter, cuja carreira se consolidou em veículos impressos, disse que buscou explorar o potencial da internet na elaboração do conteúdo, com muitas fotos e vídeos para complementar o relato. “A internet dá possibilidades diferentes, com outras linguagens, mais rica. É um mercado que se abre, inclusive para repórteres especiais”. Para Lúcio Vaz, a plataforma deve ser mais e mais explorada para reportagens especiais, criando novas alternativas para o jornalismo.

Com a experiência de mais de uma década em conteúdos especiais, ele defende, também, que veículos de comunicação continuem investindo em reportagens de fôlego, capazes de provocar impacto e debate na sociedade, apesar da grande demanda da cobertura diária.  

É por isso, também, que ele considera prêmios de jornalismo, como o CNT, importantes. “Eles têm a missão de motivar esse trabalho mais aprofundado. E o Prêmio CNT de Jornalismo tem se firmado, ao longo dos anos, como um dos principais do Brasil. Os profissionais levam grandes matérias para concorrer. É muito importante para estimular o trabalho das pessoas, dar um reconhecimento maior e é um orgulho ter sido reconhecido”, avalia. 

Para ler a reportagem “Eles fizeram foi morrer”, acesse https://medium.com/brio-stories.


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