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Melhores reportagens sobre transporte são reconhecidas no Prêmio CNT de Jornalismo


A CNT (Confederação Nacional do Transporte) realizou, na noite desta quarta-feira (9), a entrega dos troféus aos jornalistas responsáveis pelas sete melhores reportagens a respeito do transporte veiculadas entre 2014 e 2015 na imprensa brasileira. A solenidade de entrega do 22º Prêmio CNT de Jornalismo ocorreu no CICB (Centro Internacional de Convenções do Brasil) e reuniu profissionais de comunicação e transportadores.

O prêmio, reconhecido como um dos mais tradicionais do país, é entregue em sete categorias: Rádio, Fotografia, Internet, Impresso, TV, Meio Ambiente e Transporte e o Grande Prêmio CNT de Jornalismo. Ao todo, foram distribuídos R$ 270 mil aos vencedores, dos quais R$ 60 mil para o Grande Prêmio e R$ 35 mil para cada uma das demais categorias.

O primeiro troféu foi entregue ao vencedor de Rádio, Luciano Nagel, pela série “Na boleia do caminhão aos confins do Brasil”, que apresentou um retrato dos desafios vivenciados pelos caminhoneiros que cruzam o país. Para isso, ele pegou carona em dois caminhões e andou por 17 dias entre o Rio Grande do Sul e o Pará. “Foi um desafio fazer um raio X das rodovias. Seis mil quilômetros de estradas esburacadas, falta de estrutura, de fiscalização de segurança”, disse ele.

Depois, o fotógrafo Bernardo Coutinho, do jornal Notícia Agora, subiu ao palco para receber o prêmio em Fotografia, pelo trabalho “Mão fraterna”, que retrata a imagem de um homem estendendo a mão para auxiliar um caminhoneiro, logo após um acidente. Ele falou sobre o momento: "São cenas para as quais devemos estar preparados. Quando eu vi ele dando a mão, não tive nem o que pensar, só registrar".

Com a reportagem “Eles fizeram foi morrer”, o jornalista Lúcio Vaz venceu na categoria Internet. O trabalho falou das fraudes no transporte escolar no Nordeste do país, que provocam até mortes de estudantes em razão das condições precárias do serviço. A matéria foi publicada pelo portal Brio. "É possível fazer reportagem para internet com um conteúdo mais aprofundado", avalia ele, que percorreu oito mil quilômetros para apurar histórias de acidentes envolvendo transporte escolar. "Esse é um problema que é de todos. Ainda há milhares de crianças transportadas por pau de arara nesse país", destacou. 

O ganhador em Impresso, Henrique Gomes Batista, apresentou um retrato do transporte de cabotagem no Brasil. Para isso, ele passou mais de duas semanas em um navio, entre São Paulo e o Amazonas. Para o repórter, o prêmio é um incentivo para que os veículos de comunicação “invistam mais nos que é o mais importante do jornalismo, que é a reportagem”. Ele diz que esse é um importante reconhecimento. “O CNT é um dos prêmios mais tradicionais do país, realiza uma seleção de forma totalmente séria, com critérios. Isso é muito bacana e dá respaldo ao prêmio”, avalia. O jornalista, que atualmente é correspondente de O Globo nos Estados Unidos, foi representado pela colega, Geralda Doca, da redação do jornal em Brasília.

Em TV, a vencedora foi a reportagem “A máfia do seguro obrigatório”, veiculada pela TV Globo. A equipe vencedora é formada por Edson Ferraz, Ana Pessoa, Wagner Suzuki, Lúcio Alves, Vianey Bentes, Geraldo Rodrigues e Michelly Oda. “O difícil era contar uma história que já havia sido contada. E o mais importante é isso: trabalhar em equipe”, disse Edson Ferraz, ressaltando a parceria dos colegas para realização do trabalho.

O Prêmio Especial Meio Ambiente e Transporte foi para o trabalho “Cemitérios de Lata”, do jornal Correio Braziliense, produzido pelos jornalistas Ivan Iunes, Warner Bento Filho e Leonardo Cavalcanti. A série tratou sobre a destinação de meios de transporte que se transformam em sucata. "Somos todos da editoria de política, mas sempre discutíamos meio ambiente. Então resolvemos trabalhar sobre a Lei de Resíduos Sólidos, que não trata da destinação desse material sem utilidade. E foi uma honra ter o reconhecimento desse trabalho", falou Iunes. 

O principal vencedor da noite foi o trabalho “Bicicletas 1 e 2”, especial do programa Cidades e Soluções da GloboNews, do jornalista André Trigueiro, que tratou do uso da bicicleta como meio de locomoção. Ao receber o troféu, ele destacou: "2015 foi o ano da bicicleta no Brasil. O cicloativismo ganhou mais espaço no Brasil. E eu queria dedicar esse prêmio aos ciclistas que morreram em acidentes violentos no país, acreditando que a bicicleta é uma alternativa de transporte".

Seleção dos vencedores

O processo de seleção dos trabalhos é realizado de maneira isenta e autônoma, em três etapas. Inicialmente, a Comissão Organizadora do Prêmio verifica se todas as reportagens inscritas atendem aos requisitos do regulamento. Depois, os trabalhos são avaliados por professores de comunicação, que definem os finalistas em cada uma das categorias. A última etapa é a avaliação da comissão julgadora, formada por quatro jornalistas e um acadêmico da área de transporte.

Os critérios para a pontuação das reportagens levam em conta a criatividade, o esforço, a oportunidade, o impacto e o alcance dos trabalhos. A avaliação é realizada por meio de um sistema eletrônico. Cada avaliador tem acesso somente a suas próprias notas.

Neste ano, os jurados foram: Domingos Meirelles, âncora do Repórter Record Investigação e presidente da Associação Brasileira de Imprensa; Ana Dubeux, diretora de redação do jornal Correio Braziliense; Bia Sant’Anna, diretora de conteúdo do portal IG; Liedi Bernucci, mestre em engenharia e professora da Escola Politécnica da USP; Milton Jung, âncora da Rádio CBN.


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